segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Da morte

Pois é... Fiquei um bom tempo sem passar por aqui, porque além da preguiça de postar, tenho que estudar agora... Enfim, lá vai a minha versão da morte.

Todos nós nascemos e sempre soubemos que um dia iríamos morrer. Só que, nem todos pensam sobre o que é morrer. Religiões e mitos muitas vezes dizem que há a vida após a morte, logo, a morte não é "nada de mais". Mas como sou cético, nunca consegui achar alguma vantagem em morrer.
Morte é o fim. A desgraça. O derradeiro.
Fim do seu corpo, sua consciência, de todo o seu "eu". Quando você é enterrado, não é só o seu corpo que vai embora, mas toda a sua história, todas suas vitórias, conquistas, derrotas, superações, amores, pensamentos, momentos... Toda a existência que você era e gerava, se vai. Some. Tudo some. Me deprimo quando lembro da minha avó... Quando ela morreu, a primeira coisa que pensei foi o "seguir em frente". E eu segui em frente, durante muito tempo... Mas depois a saudade batia, eu sonhava com ela, lembrava dela... A cada lembrança feliz que eu tinha, ficava mais triste... Porque ela me fazia feliz, mesmo com toda a implicância, e discussões que tínhamos às vezes... Ela foi embora e nunca mais vai voltar. Todos os momentos que passei com ela, tudo que ela me disse, foi embora junto com ela. Minha avó não existe mais, e nunca vai voltar a existir. Sinto falta dela até hoje, e sempre vou à casa onde ela morava, que hoje está abandonada, e fico um tempo lá.. Vejo o jardim que ela tanto cuidava está cheio de mato hoje, vejo o chão sujo, as coisas bagunçadas... Lembro de quando eu ficava naquela varanda sentado enquanto ela tomava conta de mim, lembro dela fazendo coisas na cozinha, procurando coisas que meu avô sempre perdia... Isso sempre me deixa péssimo.
Ela era uma pessoa viva! E o que é hoje? Hoje é apenas uma galeria de lembranças...
Apenas imagens, alguns trechos de vozes, alguns momentos... É a isso que uma pessoa se reduz, por mais importante que seja? Lembranças? É injusto. Ela sempre quis me ver formado, mas nem a 8º série me viu chegar. As coisas que ela tanto amava, como sua casa, seu jardim, se foram... Estão abandonados, diferentes. Estão mortos.
Até as lembranças que guardo com tanto carinho, começam a sumir. Daqui a um tempo sei que não poderei lembrar com exatidão o rosto dela, sua voz, ou as coisas que fez. O tempo leva as pessoas de qualquer jeito.
Por que as pessoas não podem viver ao ponto de pelo menos não deixarem tantos sonhos incompletos? Por que morrem tão de repente e porque somem da nossa vida mesmo em lembrança? Não consigo lidar bem com esse tipo de perda. E o pior, é que mais cedo ou mais tarde, isso acontecerá comigo também. Eu também morrerei...
Hoje sou eu que choro por pessoas que amei, e no futuro? Quem irá chorar por mim? Eu perderei tudo, até a mim mesmo. Perderei as coisas bonitas do ambiente, perderei as noites em que fico apreciando a lua, perderei meu corpo, perderei a paixão... Perderei minha consciência. E será que me tornarei apenas uma lembrança também? Ou menos que isso? Será que alguém vai se lembrar de mim?
Talvez no início...
Quando meu corpo estiver no caixão e sendo enterrado... Um tempo depois, começarei a ser esquecido. E tudo será como se eu não tivesse existido. Tudo será como se eu fosse nada, e tudo sobre mim vai se perder pelo tempo.
Eu tenho medo de morrer... Tenho medo de perder a mim mesmo... Por mais egoísta que isso seja.
Na morte, está a maior tristeza que eu já vi.

2 comentários:

Mariza Resplandes disse...

Sincero e nostálgico.

Lya Ninn disse...

Uau, essa é uma visão bem peculiar da morte... Embora eu ache que a sua vó e nem você acabem ou virem nada quando se desliga o corpo. Ei, Luccas, eu vi os seus videos no youtube e eu me identifiquei com vc em muuitas coisas. Pq eu passei/passo por alguns problemas parecidos. Foi importante pra mim "encontrar vc" quando eu precisei. entende? se um dia quiser manter algum contato, ou algo assim, eu to aqui :) gosto dos seus textos. bei :*

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